" Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doenca
incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se
sentem genuínamente portugueses mascara-se a doenca,
ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e
imunizados. A mínima exposição a determinadas
circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis
recorrências e acabamos por arder na altíssima febre
de uma recidiva sem regresso nem apelo".
Rui Knopfli
sábado, 30 de janeiro de 2010
Hoje, "Uma Casa Portuguesa" (58 anos)
Amália Rodrigues
Completam-se hoje 58 anos da estreia de "Uma Casa Portuguesa", foi em Lourenço Marques no Teatro Manuel Rodrigues, cantou-a pela primeira vez a artista angolana Sara Chaves, a letra e a música dos moçambicanos, Reinaldo Ferreira, Vasco Matos Sequeira e Artur Fonseca.
Foto Petra Nemcova Estou farto de ouvir falar em sexo! É sexo por tudo e por nada! Obsessão! E até o mais lindo e bem dito poema perde graça quando olhado assim! Não perde verdade, não perde tesão. Perde a graça de ser verdade, perde a sua ocasião. O excesso é mais que fartura, é enfartamento. É sexo por isto e por aquilo, é a ditadura de ter de ser, acontecer, mandar, forçar-nos - simplesmente não acontecer. Farta! Mas como é lindo e é verdade, afinal ele comanda-nos e a vida é a vida e é linda de se viver lá vai um poema entesoado, coisa boa esta da tesão. Afinal o poeta tem razão: o sexo comanda a vida. E pese este enfartamento, este cansaço com a ditadura do ter de ser – e já nem saber se quero ou sou obrigado a querer! mando-te um pps bonito, este, deste que está cansado de tanto sexo ver e ler (gosto do acontecer) Gosto de ler palavras não explícitas que me incendeiem, de ver um rasgo de carne descoberto que sugira o que não se vê. Gosto de sexo. Na verdade mais do sonhado, esses momentos em que somos o que não somos pois a perfeição existe nos sonhos, nos momentos em que o comando não é nosso mas sim da ilusão. Afinal o sexo comanda-nos ou não? Sei lá, que tenho momentos em que duvido, de tanto dele ler e ver, que ainda tenha tesão!
Prédio na esquina da Av. António Enes com a Massano de Amorim, Lourenço Marques
Mural em pedra da "Casa do Dragão", Lourenço Marques
Estação de serviço do Hotel Polana, Lourenço Marques
Prédio "Leão que ri"
Lourenço Marques
Termina no próximo dia 16 a exposição da vida e obra do Arquitecto "Pancho" Guedes (Amâncio d'Alpoim Miranda Guedes) no Museu Colecção Berardo, intitulada "Vitruvius Mozambicanus".A não perder, além disso, "Pancho" anda sempre por lá, com delicadeza e simpatia.
" Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doenca
incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se
sentem genuínamente portugueses mascara-se a doenca,
ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e
imunizados. A mínima exposição a determinadas
circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis
recorrências e acabamos por arder na altíssima febre
de uma recidiva sem regresso nem apelo".
Rui Knopfli