Um Voo Cego A Nada...

" Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doenca incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se sentem genuínamente portugueses mascara-se a doenca, ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e imunizados. A mínima exposição a determinadas circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis recorrências e acabamos por arder na altíssima febre de uma recidiva sem regresso nem apelo". Rui Knopfli

sábado, 8 de março de 2014

Mulher

             Foto © Petra Nemcova.


Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.

A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.

Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.

Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!

Rui de Noronha, in “Miragem”, Lourenço Marques




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sábado, 12 de junho de 2010

Mulher


Foto Petra Nemcova

Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.


A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.



Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.


Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!


Rui de Noronha, in “Miragem”, Lourenço Marques



Lourenço Marques, 28 de Outubro de 1909 - 25 de Dezembro de 1943

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Inquietação




Meus dias de amargura,
meus cuidados,
Meus dolorosos dias de incerteza,
Perdidos cantos meus,
meus idos brados
De incompreendida dor
e de tristeza.

Risonhas horas minhas
de franqueza,
Calmos dias de riso emoldurados;
Tecidos de candura e de beleza,
De efémeras certezas clareados:

Se de entre vós eu escolher pudesse
As alegrias, essa breve messe
De ouro, ou a tristeza
e o seu vaivém

De dor, - eu preferiria toda a vida
Uma tristeza inquieta,
à adormecida
Certeza imóvel dum eterno bem…


Rui de Noronha, in “Miragem”, 2 de Julho de 1932


Lourenço Marques, 28 de Outubro de 1909 - 25 de Dezembro de 1943

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