Um Voo Cego A Nada...
" Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doenca
incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se
sentem genuínamente portugueses mascara-se a doenca,
ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e
imunizados. A mínima exposição a determinadas
circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis
recorrências e acabamos por arder na altíssima febre
de uma recidiva sem regresso nem apelo".
Rui Knopfli
Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
Alberto Caeiro
Etiquetas: Alberto Caeiro, Fernando Pessoa, Poesia
Pouco me importa

Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.
Alberto Caeiro(À minha Avó, que me abriu os olhos para tudo o que é belo, e faz hoje 40 anos que faleceu em Lourenço Marques.)Etiquetas: Alberto Caeiro, Fernando Pessoa, Poesia