Um Voo Cego A Nada...

" Ter-se nascido ou vivido em Moçambique é uma doenca incurável, uma virose latente. Mesmo para os que se sentem genuínamente portugueses mascara-se a doenca, ignora-se, ou recalca-se e acreditamo-nos curados e imunizados. A mínima exposição a determinadas circunstâncias desencadeia, porém, inevitáveis recorrências e acabamos por arder na altíssima febre de uma recidiva sem regresso nem apelo". Rui Knopfli

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Codinome Beija-flor

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Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Somebody To Love


Queen

Can anybody find me somebody to love
Ooh, each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet
(Take a look at yourself) Take a look in the mirror and cry (and cry)
Lord what you're doing to me (yeah yeah)
I have spent all my years in believing you
But I just can't get no relief, Lord!
Somebody (somebody) ooh somebody (somebody)
Can anybody find me somebody to love ?

Yeah
I work hard (he works hard) every day of my life
I work till I ache in my bones
At the end (at the end of the day)
I take home my hard earned pay all on my own
I get down (down) on my knees (knees)
And I start to pray
Till the tears run down from my eyes
Lord somebody (somebody), ooh somebody
(Please) Can anybody find me somebody to love ?

(He works hard)
Everyday (everyday) - I try and I try and I try
But everybody wants to put me down
They say I'm going crazy
They say I got a lot of water in my brain
Ah, got no common sense
I got nobody left to believe in
Yeah yeah yeah yeah

Oh Lord
Ooh somebody - ooh somebody
Can anybody find me somebody to love ?
(Can anybody find me someone to love)

Got no feel, I got no rhythm
I just keep losing my beat (You just keep losing and losing)
I'm OK, I'm alright (he's alright - he's alright)
I ain't gonna face no defeat (yeah yeah)
I just gotta get out of this prison cell
One day (someday) I'm gonna be free, Lord!

Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love
Find me somebody to love love love
Find me somebody to love
Find me somebody to love somebody somebody somebody somebody
Somebody find me
Somebody find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love ?

(Find me somebody to love)
Ooh
(Find me somebody to love)
Find me somebody, somebody (find me somebody to love) somebody, somebody to love
(Find me somebody to love)
Find me, find me, find me, find me, find me
Ooh - somebody to love
(Find me somebody to love)
Ooh
(Find me somebody to love)
Find me, find me, find me somebody to love
(Find me somebody to love)
Anybody, anywhere, anybody find me somebody to love love love!
Wooo somebody find me, find me love

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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Jealous Guy


John Lennon

I was dreaming of the past
And my heart was beating fast
I began to lose control
I began to lose control

I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy

I was feeling insecure
You might not love me anymore
I was shivering inside
I was shivering inside

I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy

I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy

I was trying to catch your eyes
Thought that you was trying to hide
I was swallowing my pain
I was swallowing my pain

I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh no, I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy, watch out
I'm just a jealous guy, look out babe
I'm just a jealous guy

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

Dois pra lá, dois pra cá


Elis Regina


Sentindo o frio

Em minha alma

Te convidei prá dançar

A tua voz me acalmava

São dois prá lá

Dois prá cá...



Meu coração traiçoeiro

Batia mais que o bongô

Tremia mais que as maracas

Descompassado de amor...



Minha cabeça rodando

Rodava mais que os casais

O teu perfume gardênia

E não me perguntes mais...



A tua mão no pescoço

As tuas costas macias

Por quanto tempo rondaram

As minhas noites vazias...



No dedo um falso brilhante

Brincos iguais ao colar

E a ponta de um torturante

Band-aid no calcanhar...



Eu hoje, me embriagando

De whisky com guaraná

Ouvi tua voz murmurando

São dois prá lá

Dois prá cá...



No dedo um falso brilhante

Brincos iguais ao colar

E a ponta de um torturante

Band-aid no calcanhar...



Eu hoje, se embriagando

De whisky com guaraná

Ouvi tua voz murmurando

São dois prá lá

Dois prá cá...


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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Quanto mistério na semente


Quanto mistério na semente
Que ergue ao sol o pulmão de uma folha;
Quanto mistério em mim, que a vejo;
E quanto, quanto mais mistério em mim,
Que vejo nisto um mistério!

Reinaldo Ferreira, “Poemas”, Livro IV – Dispersos, Lourenço Marques, Imprensa Nacional de Moçambique, 1960

(A minha Avó)

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Lanterna dos Afogados

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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Menino Do Rio

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Domingo, 27 de Novembro de 2011

N.A.S.D.A.Q.

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Sábado, 19 de Novembro de 2011

Aniversário

                                               Catembe, 9 de Junho de 1955


No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus! - o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

(A meu Pai)









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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Vai Levando

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Domingo, 13 de Novembro de 2011

Recordações...


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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Trem Das Onze

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Sòzinho

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Domingo, 30 de Outubro de 2011

Many Rivers To Cross

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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Somos todos iguais nesta noite

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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Tratado de Zamora


A 5 de Outubro de 1143 fez-se o Tratado de Zamora entre D. Afonso Henriques e D. Afonso VII, respectivamente Reis de Portugal e de Leão e Castela, em que o segundo reconhecia a soberania de Portugal proclamada pelo primeiro em 1140.
É o que hoje se comemora, 868 anos depois.

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Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Sem nada de meu



Dei-me inteiro. Os outros
fazem o mundo (ou crêem
que fazem) . Eu sento-me
na cancela, sem nada
de meu e tenho um sorriso
triste e uma gota
de ternura branda no olhar.
Dei-me inteiro. Sobram-me
coração, vísceras e um corpo.
Com isso vou vivendo.

Rui Knopfli

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Sábado, 1 de Outubro de 2011

Realidade


Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...
Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto —
Nesta localidade da cidade ...

Há vinte anos!...
O que eu era então! Ora, era outro...
Há vinte anos, e as casas não sabem de nada...

Vinte anos inúteis (e sei lá se o foram!
Sei eu o que é útil ou inútil?)...
Vinte anos perdidos (mas o que seria ganhá-los?)

Tento reconstruir na minha imaginação
Quem eu era e como era quando por aqui passava
Há vinte anos...
Não me lembro, não me posso lembrar.

O outro que aqui passava, então,
Se existisse hoje, talvez se lembrasse...
Há tanta personagem de romance que conheço melhor por dentro
De que esse eu-mesmo que há vinte anos passava por aqui!

Sim, o mistério do tempo.
Sim, o não se saber nada,
Sim, o termos todos nascido a bordo
Sim, sim, tudo isso, ou outra forma de o dizer...

Daquela janela do segundo andar, ainda idêntica a si mesma,
Debruçava-se então uma rapariga mais velha que eu, mais
lembradamente de azul.

Hoje, se calhar, está o quê?
Podemos imaginar tudo do que nada sabemos.
Estou parado físisca e moralmente: não quero imaginar nada...

Houve um dia em que subi esta rua pensando alegremente no futuro,
Pois Deus dá licença que o que não existe seja fortemente iluminado,
Hoje, descendo esta rua, nem no passado penso alegremente.
Quando muito, nem penso...
Tenho a impressão que as duas figuras se cruzaram na rua, nem então nem agora,
Mas aqui mesmo, sem tempo a perturbar o cruzamento.

Olhamos indiferentemente um para o outro.
E eu o antigo lá subi a rua imaginando um futuro girassol,
E eu o moderno lá desci a rua não imaginando nada.

Talvez isso realmente se desse...
Verdadeiramente se desse...
Sim, carnalmente se desse...

Sim, talvez...

Fernando Pessoa

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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011

Still Crazy After All These Years



"Still Crazy After All These Years"

I met my old lover
On the street last night
She seemed so glad to see me
I just smiled
And we talked about some old times
And we drank ourselves some beers
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years
I’m not the kind of man
Who tends to socialize
I seem to lean on
Old familiar ways
And I ain’t no fool for love songs
That whisper in my ears
Still crazy after all these years
Still crazy after all these years
Four in the morning
Crapped out
Yawning
Longing my life away
I’ll never worry
Why should I?
It’s all gonna fade
Now I sit by my window
And I watch the cars
I fear I’ll do some damage
One fine day
But I would not be convicted
By a jury of my peers
Still Crazy
Still Crazy
Still Crazy after all these years

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Sábado, 17 de Setembro de 2011

Como os nossos pais...


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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Teach Your Children

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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011

Space Oddity

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Sábado, 6 de Agosto de 2011

Only a Woman's Heart

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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011

Cântico Negro


Cago na juventude e na contestação
e também me cago em Jean-Luc Godard.
Minha alma é um gabinete secreto
e murado à prova de som
e de Mao-Tsé-Tung. Pelas paredes
nem uma só gravura de Lichenstein
ou Warhol. Nas prateleiras
entre livros bafientos e descoloridos
não encontrareis decerto os nomes
de Marcuse e Cohn-Bendit. Nebulosos
volumes de qualquer filósofo
maldito, vários poetas graves
e solenes, recrutados entre chineses
do período T'ang, isabelinos,
arcaicos, renascentistas, protonotários
- esses abundam. De pop apenas
o saltar da rolha na garrafa
de verdasco. Porque eu teimo,
recuso e não alinho. Sou só.
Não parcialmente, mas rigorosamente
só, anomalia desértica em plena leiva.
Não entro na forma, não acerto o passo,
não submeto a dureza agreste do que escrevo
ao sabor da maioria. Prefiro as minorias.
De alguns. De poucos. De um só se necessário
for. Tenho esperança porém; um dia
compreendereis o significado profundo da minha
originalidade: I am really the Underground.

Rui Knopfli

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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

Non, Je ne regrette rien



Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

Em Aranjuez com o teu Amor




Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade

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Domingo, 17 de Julho de 2011

Wish You Were Here



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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Money...

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Segunda-feira, 11 de Julho de 2011

Cansaço

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Tudo o que faço ou não faço
Outros fizeram assim
Daí este meu cansaço
De sentir que quanto faço
Não é feito só por mim.

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Sábado, 9 de Julho de 2011

Hoje...

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Terça-feira, 5 de Julho de 2011

And I Love Her

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